QUEBRA-CABEÇA

QUEBRA-CABEÇA
 
desconcertado
em cada
pedaço
de mim
tem você.
 
montado em
p
e
ças
manequins
querubins
sim’s.
 
partículas imaginárias
de uma mente
par tida
 
parte feito ttremmm
balanço vai e
vem
parte do que sou
tem você.
 
um tudo quase nada
do que restou
em cada parte
de mim.
 
– LP.

ILUDIDO, FODIDO E CALADO

3538018231352704477-account_id=4

Complexo de inferioridade, crises de identidade, crise da meia idade! Sorrindo e questionando a minha “insana…”, digo sanidade!

Fingir ou fugir no/do tinder? Sonhar ou acordar e pagar as contas? Contar ou guardar os segredos?  Sexo no primeiro encontro? Cuspir ou engolir as regras pré-estabelecidas?

Macho Alpha, Bela, recatada e do lar?  Medo do confronto, dedos que não se tocam, beijos que não tem gosto, sexualmente ativos, emocionalmente passivos!
Vocês são todos iguais, dizendo que são diferentes! Hahaha (eu to rindo, mas é de desespero).

Dizem que não se importam, não correm atrás, mas medem o amor próprio com likes em fotos sensuais, vocês são engraçados demais.

Honrar o que tenho no meio das pernas, ser o mesmo na internet e na mesa do bar! Forçando a barra, fingindo tanto que até mesmo você vai acreditar! Vai? Continue a se enganar, irmão! Lágrimas nos olhos, remédios para alma na palma da mão. O grupo dos desconstruídos construindo celas cheias de teses hipócritas.

Hipóteses são só hipnoses do que poderia ser real ou anormal? MEU DEUS como eu sou intelectual, vocês não sabem o que eu daria pra não pensar mais, deitar e não mais acordar, enfim, dormir em paz.

Me matar a fome que não consigo saciar, mas se ela está aqui, tudo se vai, é tudo azul na cor do mar, refletido no seu lindo sorriso que logo vai embora e faz tudo querer me matar.

Descarrego todo o meu pseudo intelecto em credos que não creio, mas gosto de esculachar a fé, alheio aos anseios dos meus conterrâneos. Vejam que nesse paragrafo, não é de mim que estou falando, leiam as entrelinhas das entranhas da minha caligrafia, talvez se identifiquem, talvez me critiquem, me xinguem! Vão SE FODEREM, eu pouco me importo com a sua “mini militância” online que é tão eficaz quanto um texto mal rimado escrito por um homem branco, hétero e “padrão”.

Não entendo bem as regras de pontuação, mas, eu sei que o mundo vai mal, porém olhe para o chão, olhe para o seu coração carregado de ódio pelos novos “haters” de plantão. Eles são a nova onda do verão brasiliense, dessa corrupção latente, como eu odeio essa gente, politico é gente?

Eu não espero que me ouça, na verdade eu quero que você se exploda num ataque terrorista entre os meus ressentimentos de extrema direita racional e meus sentimentos dilacerados na esquina esquerda do meu pulmão. Sou um tiro certeiro de magoas, (porem erro na acentuação) varando a sua cabeça alienada, balas feitas nas minhas eternas noites em claro, entre pensamentos suicidas e choros transtornados, não espero que me entenda, nesse pedido escondido de ajuda, please, kill me now!

São reacionários ou revolucionários? Enquanto dure o pacote da 3g ou a wifi da varanda gourmet. São gays enrustidos ou fãs do bolsonaro? Foda-se eu atiro para todos os lados, eu pareço calmo? Eu não me calo, só quando pisam no meu calo, de novo, olhe para você e diga o que vê?

Estamos nos escondendo atrás de máscaras de felicidades plásticas, estamos esquecendo de viver, para onde foi nossa verdade, amigo? Quando foi que chegamos nesse abismo de intolerâncias que nos fez, não sermos nós mesmos, por conta de tudo que não quisermos conter e que ainda me separa de você?

Sei lá, não sei se você consegue me entender, mas eu to aqui tentando me defender, rimando toscamente, me desculpem, é meio sem querer. Traduzindo tudo que o mundo vomita na minha boca, eu to cansado, mas esse desabafo, foi tão bom quanto um tiro na nuca. Estou revigorado, melhor do que nunca. Iludido, fodido e calado!

L.

AOS INTERNAUTAS

AOS INTERNAUTAS
 
 
Tela, do latim cela.
Cega.
 
As correntes dos botões agora apertam teus dedos
A conexão tira seus medos.
Na internet, você tem medo de nada.
À tarde, tem vergonha de andar sozinha na praça.
 
Por que você abdica seu prazer de sentir?
De comer. De sentar direito. As costas sentem dor também.
 
Por que você sorri tão longe? O que dentro dessa alma você esconde…?
 
Venha me mostrar toque no toque. Inspiração na sua expiração.
Quero conectar-me a rede da presença.
Durante o trajeto, não esqueça:
 
Levanta a cabeça, vai perder o ônibus.
Cuidado ao entrar, não tropece no carregador.
Não olhe pra trás! Pode ter uma televisão te assustando.
O tempo, se debruçando.
 
-LETÍCIA PASSARINHO.

AS CINZAS DE UMA QUARTA QUALQUER

TEXTÃO REFLEXIVO PÓS CARNAVAL!

QUASE INÉDITO!

7b45cb79a9f60ed3d86730c87a5f64da

Numa ‘Quarta-feira de Cinzas’, num ‘Sábado de Aleluia’ ou num ‘Domingo de Páscoa’, feche seus olhos e eleve seus pensamentos aos céus, ajoelhe e implore piedade ao que você não crê.

Seu temor e tremor são egoísmo puro e mal medido, medo de morrer e não ver o paraíso do qual duvidou eternamente, até agora e até a sua última hora, a hora da morte, qual será a sua, a nossa sorte?

É numa inocência quase hipócrita que cegos enxergamos uma luz decepcionante, latente, e depois de tantas noites em claro de lágrimas não correspondidas… O peso da revolta expõe pensamentos perversos dos quais, você se desculpará sem se arrepender jamais.

Dançando em seus carnavais suicidas, os anormais, amorais, são todos aqueles que não veem a mesma salvação que eu.
E quantas vezes presenciei essa humildade demasiada que para mim nada mais é do que soberba disfarçada.
Tantas vezes enxergaram…

Ver o post original 231 mais palavras

QUARTA FEIRA DE CINZAS

O Sol veio nos contar que ainda há tempo, amor

A cada veraneio, um vendaval.
Sorte de quem dança
Quem não deixa de ser criança
Sede da juventude, carnaval.

O puro momento, floresce
Sabor de mel
Toda fumaça que dissipa, derrete.

Creme-se de amor!
A festa acabou, mas a música ainda toca
Morra para viver
Antes o adeus bata à porta.

– LP.

O homem do colar

400_f_52401422_noagvlf0gnndlodqsgglbtpotvyb8utm

Em uma viagem à praia no litoral norte paulistano, um moço deixou um pedacinho dele em mim. Argentino, uns trinta e alguma coisa anos, baixinho, feliz, simples. Chegou me mostrando seu trabalho artesanal de colares com pedrinhas, bem feitos com um toque de carinho. Seu nome era Luiz, Carlos, Miguel, eu não sei. Eu não lembro o nome do moço, mas lembro de que ele possuía uma história que provavelmente me acompanhará por bastante tempo.

Seu sotaque não negava que era estrangeiro, o sorriso, também não negava a humildade daquele homem, que pra mim mais parecia um garoto. Chinelo, luz e cabelo raspado. Sim, cabelo raspado.

– Veja meu trabajo artesanal… Estão quince reales os colares. Estoy em Ubatuba há alguns meses vivendo aqui porque me apaixonei.

Abri uma grande risada. Senti empatia. Fiquei feliz por ele ter me oferecido os colares. “Pedra da lua, pedra do sol, pedra do mar…” Eu queria todas. Queria mais ainda saber a história daquele vendedor que me pegou a atenção.

A paixão, não era por alguém, era pelo lugar. Meu novo amigo não saiu da Argentina para amar algum brazuca, saiu para viver com as praias.

– Yo vim em viagem, mas fiquei encantado por estas hermosas playas. Ubatuba, Paraty, Rio de Janeiro. No consigo mais ir embora daqui.

Tinha uma filha argentina de seu antigo casamento. Sentia a falta dela, pois morava com sua ex-mulher. Às vezes a pequena passava feriados com ele para matar a saudade, e ele se sentia animado porque eram épocas de férias, então sua filhinha o veria mais tempo. Uma conversa boa, já tinha escolhido meu colar. Ele disse que é do Sol, mas eu acho que é da Lua. A pedra era transparente, me identifiquei, era um reflexo de mim. A praia se tornou muito mais bonita com aquela conversa jogada fora dentro de meu ser.

Ele teve problemas no Brasil. Meu amigo tinha moto. Bebeu algumas cervejas. A polícia o parou pela placa gringa bem no dia da gelada. Foi preso. Antes disso, nada mais nada menos do que uns palavrões ditos daquele brasileiro conservador que tem prazer em ferrar argentino. Tapas e empurrões também aconteceram. Foi tudo no meio da rodovia que beirava o mar.

Meu amigo me deixou chocada e triste por ele. Ele não sabia dessa tal Lei Seca, morava há alguns meses em Ubatuba. Foi parar em um presídio em São Paulo, mal fazia noção do que era. Dormiu alguns dias lá. Aprendei que não se pode dirigir bêbado no Brasil, e que também não podia ser argentino no Brasil. O preconceito comia solto.

Depois do mandato, o artesão voltou a Ubatuba sabe lá Deus como, mas voltou. E estava ali sorrindo pra mim. Encantado com o mar beirando a areia que acomodava nossa conversa. Ele escolheu viver para a natureza, e com a natureza. Deixou sua cidade, sua filha, seu emprego para encontrar o seu lugar.

Paguei o colar. Ele queria ir, eu acho. Se eu pudesse, compraria todos os colares. Ou quem sabe fizesse o dinheiro não existir mais e então achar um casinha para ele morar, ali mesmo perto da praia. Também conseguiria ir à Argentina ver sua menina. Assim, meu amigo ficaria mais feliz, talvez.

Mas afinal, o mais incrível de tudo era que ele não tinha nada disso. Dinheiro, uma boa casa, um emprego, uma filha perto e qualquer outra coisa que a gente chama de “ser alguém na vida”. Mas meu amigo era sim alguém na vida. Era alguém em seu lugar. Que era feliz e deixou outra pessoa feliz. Alguém que largou o convencional para ficar perto do que te fazia sentir amor. O mar. A natureza. A paz. Ele e seu lugar.

Guardei o colar comigo, poucos sabiam que aquela pedra transparente da Lua ou do Sol tinha uma linda história. Um dia perdi. Chorei. Queria carregar aquela sensação da viagem anterior comigo. Mas tinha se ido.

Um tempo depois, quase exatamente um ano após essa viagem, uma pessoa que tinha muito amor a oferecer a mim me presenteou com o mesmo colar, a mesma pedra. Um gesto de amor para eu sempre me lembrar de ficar feliz.

Obrigada, amigo.

– Letícia Passarinho