A dança

abraço

O silêncio barulhento perfuma ideias sussurradas de lembranças. Me enxergo uma dama de ferro no gelado do banco enquanto a loucura do tempo perdura a chegada de seus ventos.

A graça do discurso me arranha em um gosto aflorado da epifania de sua presença. Não é um bar, mas o gole desce queimando (som), raspando um whisky amargo que aprazera. É o encanto. É o frescor do ventilador oposto, sopros clássicos de quem te chama para vida.

O toque doce confunde-se com o grito que o céu ecoa de imensidão, já que as árvores parecem apreciar  a explosão das nossas almas conectadas. O ambiente reage. E pula. E sente. O suspiro do ar na contração do cheiro escuta a democracia do amor cantar.

A coreografia intensa proíbe o olfato, o tato, o paladar, a audição e a visão. Está consumado. Essa dança é sua. Se apresente.

– LETÍCIA PASSARINHO

Escrito em 14/09/2016

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ÍNGREME

Os meus passos não são seguidos
Quem quer um caminho igual ao meu?
E distração é ser pego desprevenido
Serei ateu, se perguntar por Deus?
O que é Solidão?

Eu vim pra te dizer
Que escadas também servem para descer.
Eu vim pra te dizer
Quem muito quer, nada tem
Veja que ao meu lado, não há ninguém.

Eu percebi, olhando daqui.
Que todo dia alguém é assaltado
Mas se não for famoso, não será noticiado.
Eu percebi, olhando daqui…
Que solidão é a percepção da realidade
Se iludir é bem mais doce que a verdade

Se eu te dissesse? Você acreditaria?
Ou a minha verdade não enganaria?
Se eu mentisse? Eu te alcançaria?
Com as minhas mentiras, te acalmaria?

Eu vim pra te dizer
Que escadas também servem para descer.
Eu percebi, olhando daqui.
Que solidão é a percepção da realidade
Se iludir é bem mais doce que a verdade

As pessoas tem dificuldade em me entender
Elas só entendem o que querem;
E elas não me querem,
Minha confusão esclarece meu coração.
Minha percepção só confunde a minha ilusão
De que escadas também servem para descer;
De que se eu mentisse, eu te alcançaria;
E com as minhas mentiras, te acalmaria.

L.

*junho/2011

NESSA CHUVA DE METEOROS

nossas milhares de constelações
em suas violentas colisões
e silenciosas explosões
chovem em nossos corações.

serão nossas eternas paixões,
minhas e suas meras miseras emoções?
são insignificantes sensações
entre desejos e confusões.

nos restam soluços e falta de soluções
seus suspiros e a minha falta de ambições
estamos perdidos numa galáxia de frustrações
refutando e vomitando desilusões.

chorando sentados em estralas cadentes
assistindo lá de cima ao nosso fim deprimente
na solidão interestelar descobrimos que o céu não mente
encontramos paz na expansão do universo que vive dentro da gente.

L.

BRINDEMOS*

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Um brinde a minha pretensão desproporcional
Um brinde a nossa ignorância que já tão normal
Um brinde aos segredos que nasceram e morreram comigo
Um brinde aos humanos e a capacidade de só olhar o próprio umbigo.

Um brinde de sangue ao ódio e a violência nacional
Um brinde orgulhoso aos nossos políticos e sua realidade surreal
Um gole de preguiça a nossa juventude e seu brilho perdido
Uma lágrima aos revolucionários, exilados, caras pintadas que se foram
Mas, não deviam ter ido, que morreram, mas não deviam ter morrido.

Um pouco mais de repudio aos que brindam a desigualdade social
Um pouco mais de repudio aos que fazem daqui um lindo reino desigual
Um pouco mais de atenção ao choro que não deveria, mas foi contido
Um pouco mais de atenção ao riso que não era, mas foi escondido.

Um brinde aos humanos e a capacidade de só olhar o próprio umbigo
Um brinde de sangue ao ódio e a violência nacional
Um pouco mais de atenção ao choro que não deveria, mas foi contido
Um brinde a minha pretensão desproporcional.

L.

*texto de 24/11/10.

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Se não houvesse lógica, haveria loucura?
Se não houvesse doença, haveria cura?
Um dia muito longo, numa vida muito curta
Um grito muito alto de uma voz quase muda

E se a coragem rompesse a barreira do medo?
E se as bocas não guardassem os segredo?
O mundo se manteria vivo? Manter-se-ia seguro?
Ou nosso passado se tornaria o nosso futuro?

Repetir os passos dos outros é independência?
Fugir sem se arrepender? Ou implorar clemência?
Se não houvesse lógica, haveria loucura?
Se não houvesse doença, haveria cura?

As grades da janela tornam a vida mais segura?
Se um dia eu voltar e contradizer meu passado?
Terei eu, então, traído o movimento ‘neopós-meu’?
Se a minha coragem rompesse a barreira do medo?

O medo não mais existiria? Para onde iria minha adrenalina?
Pra onde eu iria? E sem meu medo o que mais eu seria?
Sem perguntas como eu viveria? Sem minha curiosidade?
Eu morreria, mas continuaria a viver sorrindo, preso na rotina

L.