RADIOGRAFIA DA ALMA

Eu preciso que todos saibam que a minha alma é um universo
que minha mente tenta traduzir em versos.

Eu preciso que todos saibam que assassinei os meus sonhos
numa crise de insônia na madrugada passada.

Eu preciso mostrar ao mundo o quanto é bom fingir ser feliz,
mas o mundo não quer saber nada sobre mim.

L.

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SIGNOS E SIGNIFICADOS

Eu não sei, talvez Deus te explique
Saiba que nem todos tem o que merecem
Agradeço pelo lindo dia que hoje nasceu
Mais um dia de luta e você sobreviveu

Por que devo escrever uma nova canção?
Se as velhas ainda falam ao meu coração
Por que devo acreditar nos novos lideres?
Se ainda é necessário que os meus migrem

Eu sinto falta do que eu nunca tive
Eu sinto medo do que eu nunca vi
Eu admiro as pessoas com quem estive
Eu admiro sempre mais o que não previ

As pessoas culpam Deus pelos próprios erros
Depois choram, lágrimas que correm a esmo
Eu não sei o porque mas, quero ser eu mesmo
A liberdade não é isso, ainda me sinto preso

Eu sinto indiferença as futilidades
Eu sinto como se não fosse verdade
Eu admiro paisagens lindas e tristes
Eu admiro toda a sua falsa realidade

Eu não sei, talvez Deus me explicará
Por que eu devo escrever uma nova canção?
Se o que era, ainda não é, o que será?
Por que as coisas parecem o que não são?

L.

A dança

abraço

O silêncio barulhento perfuma ideias sussurradas de lembranças. Me enxergo uma dama de ferro no gelado do banco enquanto a loucura do tempo perdura a chegada de seus ventos.

A graça do discurso me arranha em um gosto aflorado da epifania de sua presença. Não é um bar, mas o gole desce queimando (som), raspando um whisky amargo que aprazera. É o encanto. É o frescor do ventilador oposto, sopros clássicos de quem te chama para vida.

O toque doce confunde-se com o grito que o céu ecoa de imensidão, já que as árvores parecem apreciar  a explosão das nossas almas conectadas. O ambiente reage. E pula. E sente. O suspiro do ar na contração do cheiro escuta a democracia do amor cantar.

A coreografia intensa proíbe o olfato, o tato, o paladar, a audição e a visão. Está consumado. Essa dança é sua. Se apresente.

– LETÍCIA PASSARINHO

Escrito em 14/09/2016

ÍNGREME

Os meus passos não são seguidos
Quem quer um caminho igual ao meu?
E distração é ser pego desprevenido
Serei ateu, se perguntar por Deus?
O que é Solidão?

Eu vim pra te dizer
Que escadas também servem para descer.
Eu vim pra te dizer
Quem muito quer, nada tem
Veja que ao meu lado, não há ninguém.

Eu percebi, olhando daqui.
Que todo dia alguém é assaltado
Mas se não for famoso, não será noticiado.
Eu percebi, olhando daqui…
Que solidão é a percepção da realidade
Se iludir é bem mais doce que a verdade

Se eu te dissesse? Você acreditaria?
Ou a minha verdade não enganaria?
Se eu mentisse? Eu te alcançaria?
Com as minhas mentiras, te acalmaria?

Eu vim pra te dizer
Que escadas também servem para descer.
Eu percebi, olhando daqui.
Que solidão é a percepção da realidade
Se iludir é bem mais doce que a verdade

As pessoas tem dificuldade em me entender
Elas só entendem o que querem;
E elas não me querem,
Minha confusão esclarece meu coração.
Minha percepção só confunde a minha ilusão
De que escadas também servem para descer;
De que se eu mentisse, eu te alcançaria;
E com as minhas mentiras, te acalmaria.

L.

*junho/2011

NESSA CHUVA DE METEOROS

nossas milhares de constelações
em suas violentas colisões
e silenciosas explosões
chovem em nossos corações.

serão nossas eternas paixões,
minhas e suas meras miseras emoções?
são insignificantes sensações
entre desejos e confusões.

nos restam soluços e falta de soluções
seus suspiros e a minha falta de ambições
estamos perdidos numa galáxia de frustrações
refutando e vomitando desilusões.

chorando sentados em estralas cadentes
assistindo lá de cima ao nosso fim deprimente
na solidão interestelar descobrimos que o céu não mente
encontramos paz na expansão do universo que vive dentro da gente.

L.

BRINDEMOS*

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Um brinde a minha pretensão desproporcional
Um brinde a nossa ignorância que já tão normal
Um brinde aos segredos que nasceram e morreram comigo
Um brinde aos humanos e a capacidade de só olhar o próprio umbigo.

Um brinde de sangue ao ódio e a violência nacional
Um brinde orgulhoso aos nossos políticos e sua realidade surreal
Um gole de preguiça a nossa juventude e seu brilho perdido
Uma lágrima aos revolucionários, exilados, caras pintadas que se foram
Mas, não deviam ter ido, que morreram, mas não deviam ter morrido.

Um pouco mais de repudio aos que brindam a desigualdade social
Um pouco mais de repudio aos que fazem daqui um lindo reino desigual
Um pouco mais de atenção ao choro que não deveria, mas foi contido
Um pouco mais de atenção ao riso que não era, mas foi escondido.

Um brinde aos humanos e a capacidade de só olhar o próprio umbigo
Um brinde de sangue ao ódio e a violência nacional
Um pouco mais de atenção ao choro que não deveria, mas foi contido
Um brinde a minha pretensão desproporcional.

L.

*texto de 24/11/10.