Uma noite qualquer (para alguém que sonha)

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Algumas gotas de orvalho escorriam por aquele semblante que me aguçava doçura, mas sei que não poderia sentir o verdadeiro gosto daquela flor. Suas terras eram debulhadas em marrom úmido, queria pisá-las sem deixar meus grosseiros pés pra fora, seu cheiro era correspondente a um luar de imensidão, que não há aroma, mas se dá a uma fragrância solene. Pequena, singela, frágil. Em seu caule guardava mistérios de clorofila, devorava-me imaginação colorida, e o vento que surgia… Outrora desfez suas pétalas a um horizonte proibido para se aproximar de minha floresta rasteira, não havia roseiras, nem encantadas belezas, havia sua falta, infinita fraqueza.

Minha vegetação não chovia, mas soube que suas lágrimas, a seca engoliria. Meus espinhos a ensinariam que as matas tinham seus devidos sofrimentos, que os dias passariam efêmeros, deveríamos viver o momento. Armazenava água em meu profundo espírito, ora profano, ora temível, mesmo que eu crescera numa estiagem, sabia que nosso amor era uma desejada viagem.

Não queria avião, não queria perfeita estalagem, queria os olhos daquela flor que me traziam a verdade. Única em seu arvoredo universal, ela superava o encanto de uma lua refletida em estrelas, seus princípios alimentavam tal minha eloquência de pureza. Eu, pequeno viajante vazio de presentes, mas cheio de amor para desfrutar, desde a infância sonhava que aquela era a sublime flor que eu ei de amar.

 

Letícia Passarinho

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