ligia-casa-sem-teto

Turista introspectivo

A madrugada me consome.
Cada respingo de chuva é a liberdade do meu ser aflorando
Cada toque nesse corpo macio são estrelas dançando

Um vinho, uma costura descosturada e o infinito da noite.

A rua reluz no reflexo do úmido com a lâmpada enquanto absorvo a plenitude de uma criança

Que só quer brincar de se esconder, para se encontrar em si mesmo.

Outrora ri, outrora cambaleia.
O suspiro de fora se sobrevive no abraço que recheia.

Recheia o último pedaço de bolo que sobrou da tarde, agora mais conhecido como companheiro.
Sente. Puxe. Grite.

Me desenho em teus traços tão sutis, uma obra prima que a arte nunca assinou, uma platéia que não riu. Mas aplaudiu.

Agora o batuque do coração acende e chama o vento que restou do choro das nuvens.

Me espreguiço na música de meus sons.
Então,
Vivo a delícia que é ser. A delícia de me ter. A delícia que é essa serena madrugada.

-Letícia Passarinho.

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