BOA NOITE!

2016-10-25

Boa noite, eles me disseram e eu não respondi, os sufoquei lentamente e hoje eu consegui matar os pensamentos suicidas que sussurravam seus planos em minha mente.

Eles falam bem baixinho, são pacientes e parecem saber o que fazer pra resolver tudo num piscar de olhos, dizem que não vamos mais sofrer, dizem que todos os meus vazios vão se preencher na escuridão do não amanhecer. Eu ouvi em silêncio cada palavra que confortava e confrontava as dúvidas da minha alma.

Dormi e levantei, mas não acordei, nem me lembro mais quando foi a última vez que vivi, digo que sorri.

Já antes do café da manhã eu pensei em desistir de tudo que eu ainda nem sabia que estava por vir. Me perdi entre a cozinha e o meu peito que de tão pesado me faltava o ar. No almoço desconto minhas frustrações na comida tentando saciar a alma que pede cada vez mais do que eu não posso dar, tem tempo pra um cigarro envenenar o coração ou o pulmão. É que tudo dói no peito. Sobra tempo pra rir forçadamente de uma piada sem graça que alguém conta no caminho de volta pro trabalho.

À tarde eu olho pela janela e imagino como é a vida lá fora no lugar daqueles que parecem saber pra onde vão tão apressados, tão “arrumadamente” estressados, mas talvez estejam tão vazios quanto eu. Quanto você que me lê. Aliás como vai você? Alguém realmente quer saber?

Arrastado, agoniado e tão cansado quanto nós o relógio dá a sua hora. Mais um dia se foi, igual a outro qualquer, morremos em vida sem nem ao menos viver. Sem a mínima noção de existência que não a virtual entre “likes” e fotos sorridentes (corações deprimentes). Em meio a lições de moral e uma chuva de exibicionismo com filtros de amor ao próximo pra virar coraçãozinho no Instagram.
Em casa a solidão me espera no sofá, tão sólida que posso tocar, mas prefiro um banho quente pra chorar sem parecer tão patético quanto realmente sou. O espelho embaçado me livra de ver o retrato do fracasso. Sempre que me encaro estampo um meio sorriso pra mentir pra mim mesmo, sinalizando um tudo bem com a cabeça, mas ambos sabemos que não tá.

Hora de dormir, melhor que fingir viver. O sono é a pequena morte dentro da vida, sonhos são o céu, pesadelos a vida real.

Lá vêm eles me cutucando o cérebro, dizendo ter a solução pra tudo resolver. Eu ouço seus sussurros ecoarem pelo quarto até o próximo amanhecer.

Boa noite.
L.

Obs: esse texto é totalmente fictício ou não.

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