O ÚLTIMO DIA

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Passei a vida inteira procurando nos outros
o que estava dentro do meu peito,
sufocado por sonhos que não sonhei

Quando chega o silêncio da noite
posso ouvir meu espírito sussurrar inquieto,
se revirando em mim, eu sinto sede que não consigo saciar.

Fecho os olhos e não durmo,
meus pensamentos estão em guerras
com arrependimentos que não quero chorar.

Tento enganar uma alma morta mas,
cheia de feridas vivas que insistem em não cicatrizar.
É tudo tão rápido, em um passo o desespero
se apossa do que era a mais serena paz,
e então não há desculpas, não adianta tentar andar para trás.

Vamos menosprezar tudo o que já conquistamos,
para mostrar aos outros que não nos importamos,
que não foi sacrifício, que foi até fácil demais, porque somos foda.
Vamos negar amor a quem merece e prestigiar festas cheias
de ilusão que esvaziam aos poucos o salão, os olhos, a boca e o coração.

Quando foi que aprendi a me apegar aos objetos de maior valor?
E não a quem me presenteou?
Assim fechei as mãos e aprendi a andar armado,
olhos baixos, punhos cerrados.

Num mundo imundo que não merece meus cuidados,
ingratidão eterna, desconfie de todos
e deixe que sua vida passe ou passe uma corda no pescoço
e faça como eu, diga adeus.
Enquanto o dia clareia, minha alma escurece.
O sol invade a sala vazia e o ar me falta, coragem não.

Mais um dia! O último dia,
deixo um maço de cigarros,
algumas magoas e uma carta
dedicada a minha solidão.

Lucas Alberti Amaral

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