DESIGUAL

desigual

Eu ouço vocês, mas vocês não dizem nada.
São só palavras jogadas, vomitadas.
Sempre tão vazias, tão mal faladas.
Querendo chamar a atenção na hora errada.

São tantas mãos digitando palavras de amor
e tão pouco contato real! Nada parece real.
Narcisistas, nazistas do terceiro mundo,
mundo imundo, egos inflamados e corações deformados.

Bebendo, dançando e sorrindo  para as fotos
com seus lindos corpos vazios de alma.
Amando cegamente qualquer ídolo pré-moldado,
enriquecendo enquanto vocês batem palma.

Idolatrando vampiros que mais parecem borboletas,
não sabem ler, mas adoram falar.
Conectados a milhares de amigos virtuais
trancados sozinhos em seus quartos reais.
A solidão já é normal, o medo é disfarçado com grades e vícios.
A divisão é desigual.

Revoltados com o fim da novela,
esperando que a felicidade entre pela janela.
Tomamos as dores de personagens e atravessamos a rua
ao ver o mendigo de corpo sujo.

Alma maltratada do terceiro mundo,
mundo imundo, palavras de amor virtual, nada parece real.
A podridão no coração já é normal, o medo é disfarçado com grades e vícios.
E a divisão é sempre desigual.

Lucas Alberti Amaral

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