NÃO LEIA ESSE TEXTO!

eu vim abrir seus olhos
a vida é injusta, o mundo é cruel e estamos ficando velhos

eu vim rasgar teu peito
teu amor vagabundo não merece nem ao menos meu respeito

eu vim para te dizer
você não precisa me ouvir, mas se está aqui, que seja feliz

eu não vim te fazer rir
é em vão, a vida não passa de sofridas batidas do seu pobre coração

eu não vim para te enganar
tudo vai passar, o bom e o ruim, no fim tudo ao pó retornará

eu não vim para mentir
dói, cobra caro e pesa, mas é o preço que se paga por existir

eu vim para escrever
não acredite em tudo que lê, eu sou só mais um como você

L.

 

 

 

 

 

 

UNICÓRNIOS ALADOS

Um coletivo mitológico de unicórnios alados salta sobre nuvens de algodão em chamas dentro dos meus sonhos. Chovem gotas de fogo em mim!

E o fogo se transforma no seu corpo nu e suado me cavalgando, seus olhos em labaredas queimam até a minha alma vazia. Tua pele fria como mármore, macia como toda diplomacia deveria ser, chega a me entorpecer. Tento evitar teus beijos que cortam e jamais cicatrizam.

Teus gemidos são como o canto das sereias que afundam pobres marinheiros apaixonados, pelos teus lábios vejo escorrer o liquido encantado. Teu cheiro seduz, teu cabelo hipnotiza, teu ventre cativa, me sustento rígido entre sussurros e meu desejo.

Te toco e me toco da realidade surreal que toda essa cena mística se parece, aparece um sorriso em seus lábios flamejantes, me remetendo ao teu beijo quente e cortante, me sinto vivo pela primeira vez desde o último pesadelo que tive.

Unicórnios alados são engolidos pelo precipício,  acordo sozinho, pálido, gozado e triste.

L.

HOJE, EU SEI!

Postergar tudo, me fez um viajante do futuro?
Saber o que fazer e não fazer, me traz de volta ao passado?

É errado querer morrer, mesmo que eu tenha motivos para viver?
É difícil aceitar que nem todos são especiais? É, isso eu sei!

Querer de volta o que já tive e não valorizei é tão 2006!
Eu não sou “demode”, mas eu quero ser diferente de vocês.
Ao menos parecer, quero me enganar, acreditar que sou melhor.
Eu não posso ser tão boçal quanto os que vejo a minha volta!

Volta pra mim, volta? Não se faz de morta, hoje eu sei que me faz bem!
Hoje eu sei, hoje só você me faz bem, hoje eu sei, amanhã talvez, eu não sei!

Ninguém, eu repito ninguém pode me devolver o que sonhei, ninguém é capaz.
Eu não fui sagaz, eu só quero a minha paz, talvez se você voltar! Será?
Eu já não sei, mas o que eu sei? Somos tão jovens dentro da perspectiva da evolução, façamos uma revolução, sejamos então o que eu sei.

Hoje eu sei, hoje só você me faz bem, hoje eu sei, amanhã talvez, eu não sei!

Volta pra mim, volta? Não se faz de morta, hoje eu sei que me faz bem!
Hoje eu sei, hoje só você me faz bem, hoje eu sei, amanhã talvez, eu não sei!

L.

POR FAVOR!

Por favor, peçam ao Linch que escreva um roteiro sobre mim, se ele não estiver interessado, pode ser o Fincher, caso não esteja muito ocupado.

Escrever me salvava do mundo, de mim mesmo, dos meus medos, de vocês, mas hoje já não sei. Se o Céu caísse, eu apenas me deitaria no chão.

Parece que tudo nessa vida me cansa, até seus olhos não iluminam mais a minha escuridão, é sempre uma nova decepção, não há forças para levantar, e não posso te culpar pela minha depressão, mas por favor, alguém ai me estenda a mão!

Por favor, leve em conta toda uma vida de frustrações, todo tempo perdido em não ser quem almejei, todos os países por onde não viajei, todos os lugares por onde não passei. Todas as mágoas que eu guardei, todos os pesadelos que eu acumulei, eu peço ajuda, até mesmo quando não te falei.

Eu gosto de referências, talvez um dia eu realmente influencie alguém, eu disse talvez, eu disse que eu não sei porque escrever. Quando eu morrer, nada mais vai valer a pena, é tudo tão ínfimo, tão passageiro, tão mesquinho.

Qual o sentido de deixar um legado? Quem vai saber se era mesmo o que pensei? Como saberão se é o que eu queria ou não?

Por favor, pense bem de mim quando eu não estiver mais aqui, não pense que foi um fim, apenas um novo começo, longe daqui.

L.

26/08/2019

A realidade é cruel e o sonho ilusão! Podemos sonhar acordados, então?
Drogados, conectados, dopados de remédios ou religião? Escolha a sua alienação!

Viver em sociedade dói tanto quanto negar a solidão, é preciso achar abrigo em nosso próprio coração. Me ouça quando digo isso.

Me encontre andando na contramão da multidão, me de a mão, seja meu seguidor ou me guie por entre essas contradições. Me abrace quando perdido eu não souber o que escrever.

Faça uma canção com suas emoções, sussurre a pra mim, nesse jardim de hipocrisias, demagogias, begônias, cravos e jasmim.

Leia um soneto, declame suas mágoas em latim, aos gritos me ofenda como quem mata um porco a facadas cegas e gentis!
Mas, por favor, me faça sentir algo, por favor, eu imploro, eu preciso saber de novo o que é viver! Acordar desse pesadelo eterno que é sonhar! Me traga de volta a realidade, seja cruel! Faça de mim seu Abel!

Por favor, eu imploro! Nada é pior que a imaginação, aqui eles acreditam na salvação, acreditam que um homem pode mudar uma nação, me obrigam a voltar a alienação, mais uma dose em frente a televisão, diazepam, risadas forçadas, controle remoto e celular na mão.

Prepara, lá vem textão: Me ouça quando digo isso… (Meus olhos ficam pesados, não me lembro o que… vou ler? Bateu o sono, não posso esquecer de te dizer, me ouça quandZzz Zzz).

L.

ISSO É TÃO BLACK MIRROR!

Eu estou cansado, mas gosto quando sou anestesiado, mais um episódio do novo seriado, sobre um cara cansado que gosta de seriados. É triste esperar a morte chegar, sem algo que me faça perceber que a vida vai acabar.

As vírgulas estão no lugar errado? Já não me importo, tudo é passado, nada é pra sempre. O fim vai chegar, Deus há de se vingar, Deus precisa me ensinar a não falar o nome de Deus em vão.

Perdão!

Vão embora antes que eu comece a despejar as minhas mágoas imaginárias, nascidas de diálogos da temporada passada do seriado sobre um cara cansado. Eu tô cansado pra caralho, me sinto repetitivo, introspectivo, é sempre terça-feira, seja domingo ou segunda, tudo acontece, nada muda.

Muda de canal? Eu me sinto tão mal, com essas cenas irreais, eu já vi esse final, parece que eu sou o ator principal, esperando a morte, vivendo num espiral, o traje é casual, o trabalho é formal, o cansaço descomunal.

Ninguém sabe como me sinto, mas a minha dor é tão igual a de outros bilhões de atores principais, esperando o fim de suas vidas banais, nos achando reis, mas não somos nada mais que poeira interestelar, numa pequena esfera, vagando perdida no ínfimo e íntimo sistema solar.

Não cabe a mim julgar, mas será que minhas palavras podem viajar
pelo infinito e alcançar o coração solitário de algum outro ser cansado do outro lado da imensidão que brilha na tela do seu celular?

L.

DIVAGANDO PELO UNIVERSO

O quão pagãos somos, diante das divindades dos céus?
Quantas dimensões até o cume mais distante da solidão?
O quão irrelevantes somos diante da imensidão do universo?
O que as estrelas pensam de nós? Solitários as observamos a sós?
Quantos sóis cabem dentro do meu peito? Aqui bate lento um tormento.

Diante de tanto sofrimento queimo como supernova massiva e apocalíptica!
A beira do precipício apenas os meus próprios vícios me estendem as mãos.
A frente do novo início tudo é omisso aos paralelos braços e longos abraços do infinito.
É um desperdício ou apenas puro e simples egoísmo. Me mantenho submisso ou me arrisco?

Despido de lógicas sistemáticas, minha respiração pragmática sufoca as emoções psicossomáticas.
Tudo é parcial, e a angustia matinal é tão real quanto os medos refletidos nos meus olhos no espelho.
Espalho pelo caminho todos os meus velhos segredos, extraídos em sessões de torturas psiquiátricas.

Alma asmática engasgada diante da liberdade, retarda a chegada do amor próprio, do propósito e do amor ao próximo.
Ponto de concepção é onde e quando as minhas palavras invadem teu coração, como um rojão em dia de festa de São João.
Que eu seja uma fagulha de inspiração nessa tua alma vazia e fria. Que meus versos queimem em seu corpo de poesia.
Que todo dia você se lembre de mim. E que saiba que nada somos além de insignificantes pontos brilhantes diante desse inferno.

L.