NOTAS DE UM LUNÁTICO

2016-07-14
“Notas de Um Lunático”
É o meu primeiro e-book com 15 textos, alguns deles inéditos e todos com notas de rodapé bem interessantes (pelo menos pra mim).
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RADIOGRAFIA DA ALMA

Eu preciso que todos saibam que a minha alma é um universo
que minha mente tenta traduzir em versos.

Eu preciso que todos saibam que assassinei os meus sonhos
numa crise de insônia na madrugada passada.

Eu preciso mostrar ao mundo o quanto é bom fingir ser feliz,
mas o mundo não quer saber nada sobre mim.

L.

ESTAMOS VIVOS?

Perdidos em bando. Vagando sozinhos em meio a multidão. Esbarrando em sentimentos alheios tão parecidos com os meus. E os seus?

Buscando inspiração nos outros para ser eu mesmo, mesmo estando tão confuso quanto as crises infinitas e infundadas criadas pelas múltiplas personalidades dos personagens que eu mesmo criei.

Estou cansado de viver sem estar vivo. De existir sem ser notado. De te ver chorar e não poder segurar as tuas lágrimas. Estou no automático, esperando sempre pelo amanhã, esperando o dia acabar, a semana passar. Deixando que tudo se vá sem que eu possa ao menos te tocar de verdade.

Estamos aqui, querendo estar lá, estamos lá querendo voltar pra cá. Tanto faz o lugar, já que nunca estaremos plenos em nós mesmos.

Erramos o que éramos e agora já não importa, já já a sexta vem, o mau humor vai, o álcool afoga as mágoas os remédios magoam a alma e tudo se acalma.

Morremos um pouco putos todo santo dia, agradecendo por ainda estarmos vivos, mesmo que apenas fisicamente, mesmo que que me suicide internamente. A vida segue independente e alheia as minhas baboseiras!

L.

SIGNOS E SIGNIFICADOS

Eu não sei, talvez Deus te explique
Saiba que nem todos tem o que merecem
Agradeço pelo lindo dia que hoje nasceu
Mais um dia de luta e você sobreviveu

Por que devo escrever uma nova canção?
Se as velhas ainda falam ao meu coração
Por que devo acreditar nos novos lideres?
Se ainda é necessário que os meus migrem

Eu sinto falta do que eu nunca tive
Eu sinto medo do que eu nunca vi
Eu admiro as pessoas com quem estive
Eu admiro sempre mais o que não previ

As pessoas culpam Deus pelos próprios erros
Depois choram, lágrimas que correm a esmo
Eu não sei o porque mas, quero ser eu mesmo
A liberdade não é isso, ainda me sinto preso

Eu sinto indiferença as futilidades
Eu sinto como se não fosse verdade
Eu admiro paisagens lindas e tristes
Eu admiro toda a sua falsa realidade

Eu não sei, talvez Deus me explicará
Por que eu devo escrever uma nova canção?
Se o que era, ainda não é, o que será?
Por que as coisas parecem o que não são?

L.

A dança

abraço

O silêncio barulhento perfuma ideias sussurradas de lembranças. Me enxergo uma dama de ferro no gelado do banco enquanto a loucura do tempo perdura a chegada de seus ventos.

A graça do discurso me arranha em um gosto aflorado da epifania de sua presença. Não é um bar, mas o gole desce queimando (som), raspando um whisky amargo que aprazera. É o encanto. É o frescor do ventilador oposto, sopros clássicos de quem te chama para vida.

O toque doce confunde-se com o grito que o céu ecoa de imensidão, já que as árvores parecem apreciar  a explosão das nossas almas conectadas. O ambiente reage. E pula. E sente. O suspiro do ar na contração do cheiro escuta a democracia do amor cantar.

A coreografia intensa proíbe o olfato, o tato, o paladar, a audição e a visão. Está consumado. Essa dança é sua. Se apresente.

– LETÍCIA PASSARINHO

Escrito em 14/09/2016

ÍNGREME

Os meus passos não são seguidos
Quem quer um caminho igual ao meu?
E distração é ser pego desprevenido
Serei ateu, se perguntar por Deus?
O que é Solidão?

Eu vim pra te dizer
Que escadas também servem para descer.
Eu vim pra te dizer
Quem muito quer, nada tem
Veja que ao meu lado, não há ninguém.

Eu percebi, olhando daqui.
Que todo dia alguém é assaltado
Mas se não for famoso, não será noticiado.
Eu percebi, olhando daqui…
Que solidão é a percepção da realidade
Se iludir é bem mais doce que a verdade

Se eu te dissesse? Você acreditaria?
Ou a minha verdade não enganaria?
Se eu mentisse? Eu te alcançaria?
Com as minhas mentiras, te acalmaria?

Eu vim pra te dizer
Que escadas também servem para descer.
Eu percebi, olhando daqui.
Que solidão é a percepção da realidade
Se iludir é bem mais doce que a verdade

As pessoas tem dificuldade em me entender
Elas só entendem o que querem;
E elas não me querem,
Minha confusão esclarece meu coração.
Minha percepção só confunde a minha ilusão
De que escadas também servem para descer;
De que se eu mentisse, eu te alcançaria;
E com as minhas mentiras, te acalmaria.

L.

*junho/2011

NESSA CHUVA DE METEOROS

nossas milhares de constelações
em suas violentas colisões
e silenciosas explosões
chovem em nossos corações.

serão nossas eternas paixões,
minhas e suas meras miseras emoções?
são insignificantes sensações
entre desejos e confusões.

nos restam soluços e falta de soluções
seus suspiros e a minha falta de ambições
estamos perdidos numa galáxia de frustrações
refutando e vomitando desilusões.

chorando sentados em estralas cadentes
assistindo lá de cima ao nosso fim deprimente
na solidão interestelar descobrimos que o céu não mente
encontramos paz na expansão do universo que vive dentro da gente.

L.